sábado, 17 de setembro de 2016

Dízimo e mandamentos da Igreja


Achei bem interessante esse teatro para  abordar o tema do DÍZIMO na catequese. Antes de abordar o dízimo, é importante trabalhar com eles os mandamentos da Igreja.
Conforme vai acontecendo a divisão dos pedaços de bolo, vá colocando num lugar à parte,  para que no final do encontro, todos possam saborear um pedaço..
O BOLO MENSAL
NARRADOR: O mundo de hoje é muito complexo, todos sabemos disso. Há muitos ídolos, muito egoísmo, os seres humanos são avarentos e amantes de si mesmo. E nesse emaranhado de estilos, opções e alternativas, vivemos nós, os cristãos. Dá para administrar as escolhas do dia a dia? Dá para administrar bem os recursos quando os apelos do comércio são tão grandes? E a obra de Deus? E a igreja e seus desafios? Quais são as prioridades de nossa vida? A peça a seguir tem por objetivo ajudar-nos na reflexão pessoal quanto ao uso que fazemos com os recursos que recebemos de Deus.

(Entram o marido e sua esposa levando um grande bolo, bem confeitado. Colocam-no sobre uma mesa na qual já deverão estar uma faca e uma espátula para cortar o bolo.)
MARIDO: Aqui está o resultado de um mês de trabalho. "Digno é o trabalhador de receber seu salário." E aqui está o nosso. Agora é só usufruir dos benefícios!
MULHER: Esta é a melhor parte da vida. Comprar, gastar. Adoro lojas! Shoppings! Aproveitar ofertas. Não perder chances e oportunidades!
MARIDO: (Cortando dois pedaços do bolo, dá um pedaço para a esposa...) Como foi nós que trabalhamos, vamos ser os primeiros a comer! Afinal, merecemos ou não merecemos?
MULHER: (Comendo...) Que delícia!
NARRADOR: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas..."
MULHER: (Reflexiva) Acho que deveríamos separar nosso dízimo e nossas ofertas.
 MARIDO: É...não seria difícil fazer isso! Bastaria dividir o todo em dez partes e tirar uma que pertence ao Senhor.
MULHER: E depois dar um outro pedaço como oferta voluntária. Nossa igreja está precisando! E ainda vai sobrar muito para nossos gastos e despesas!
MARIDO: Mas.... não precisamos nos preocupar com isso agora. Tem muito bolo aqui. Depois a gente separa a parte da igreja. Tenho certeza que vai sobrar!                   ( Nesse momento entra uma moça representando a igreja. Está vestida de branco e traz no peito uma faixa escrita: IGREJA. Aliás, todos os personagens deverão ter uma faixa de identificação. Dirige-se ao casal e diz: )
IGREJA: Vim buscar um pedaço desse bolo?
MULHER: Pedaço? Quem é você?
IGREJA: Sou a igreja de Deus na terra. Tenho como missão levar o evangelho da salvação a todos os povos, nações, tribos e línguas. Mas para cumprir minha tarefa, preciso da ajuda de cada membro fiel. Deus separou o dízimo e as ofertas voluntárias para que por meu intermédio, os povos sejam abençoados.
MARIDO: Já havíamos falado sobre isso. Foi nesse momento que a gente comentava sobre separarmos nosso dízimo e nossas ofertas. Olha igreja, não se preocupe. A gente vai dar, mas não agora.
 MULHER: Somos fiéis no cumprimento de nosso dever como cristãos. A nossa parte a senhora terá. Esse bolo é grande demais! Seu pedaço estará garantido.
IGREJA: Lembrem-se de uma coisa: O que quero não quero para mim mesmo. Apenas uso os recursos para a propagação do reino de Deus na terra.
MARIDO: Pode ir tranquila Dinheiro é que não vai faltar!
(Igreja sai e entra o ALUGUEL)
ALUGUEL: Vim buscar minha fatia desse bolo.
MARIDO: Aqui está seu aluguel. Duas fatias pagam nossa dívida.
ALUGUEL: Obrigado. No mês que vem eu volto. Sempre no dia primeiro, não esqueçam!
MULHER: Todo mês são duas fatias que se vão com aluguel. Se pudéssemos ficar livres dele?
 MARIDO: Tenho um plano! Se guardássemos todo o mês um pouco do nosso salário, quem sabe um dia, possamos comprar uma casa!
MULHER: É isso! Uma porcentagem do nosso salário todo mês.
(Entra o SEGURO)
 SEGURO: Vim buscar meu pedaço desse bolo que parece estar uma delícia!
MARIDO: Seu pedaço? Esse bolo é nosso! Que direito o senhor tem nele?
 SEGURO: Sou o seguro contra roubo, contra incêndio e catástrofes e comigo os senhores tem um compromisso anual. Chegou a hora de receber minha cota e eu vim buscá-la. Os senhores não querem arriscar perder tudo o que tem, não é?
MARIDO: É claro que não!
MULHER: Acho bobagem esse negócio de seguro. Dinheiro jogado fora. Só sai...não volta nunca mais.
 SEGURO: Pense bem minha senhora. Imagine sua casa sendo assaltada. Do jeito que tem ladrão por ai? Um aparelho de som, uma televisão ou outros bens de uma casa, quando levados pelo amigo dos alheios, somam prejuízos imensos! Quem paga seguro, tem todo o prejuízo reembolsado!
MULHER: Paga logo (falando com o marido)
(Marido pega um pedaço e dá para o seguro que diz)
 SEGURO: São três pedaços...
MULHER: Três pedaços?
SEGURO: Equivale ao seguro de um ano. Pode parecer muito, mas acaba sendo pouco... (Pega o bolo e sai.)
( Entra a IGREJA)
 IGREJA: Vocês esqueceram de mim?
MARIDO: Não. Imagine esquecer da igreja! Seu pedaço está aqui. Só que daremos sua parte mais tarde, agora não. Estamos fazendo os cálculos, distribuindo bem para atender a todos.
IGREJA: Por favor, não esqueçam....preciso ajudar a levar o evangelho. O que me derem, será repartido para beneficiar a humanidade.
MULHER: Pode deixar igreja. Fique fria...A senhora vai ganhar seu pedaço....
(Igreja sai. Entra "ALIMENTOS")
ALIMENTO: Tenho a impressão de que vou necessitar do maior pedaço desse bolo.
MARIDO: Ah! você é o alimento! Também acho que vai levar um bom pedaço do nosso bolo.
ALIMENTO: Alimentação é necessidade básica. Não há como fugir dos gastos com frutas, verduras, leite e cereais. A gente precisa comer. E comer significa: Vida!
MARIDO: Você realmente merece. Pode levar seu pedaço. (Dando apenas um)
ALIMENTO: Mas um só não dá. Vocês comem muito. Pode colocar aqui pelo menos uns 5 pedaços.
MULHER: Você tá doido?
ALIMENTO: São os filhos adolescentes! São como trituradores. Pode pôr bolo aqui que o negócio é feio! Se ficar o bicho come, se correr, o bicho pega. (Alimento recebe os pedaços de bolo, agradece e sai. Entra a ENERGIA ELÉTRICA)
ENERGIA: Sou a energia elétrica usada em sua casa. Por um pequeno pedaço de seu salário ilumino, faço funcionar os aparelhos elétricos enfim, dou vida à vida doméstica.
 MULHER: Pegue seu pedaço.
(Energia agradece e sai)
NARRADOR: Trazei todos os dízimos à casa do tesouro para que haja mantimento na minha casa, diz o Senhor dos Exércitos.
(Entra a ÁGUA)
ÁGUA: Uma casa sem água é um transtorno por isso, vim buscar a parte que paga minha presença na casa de vocês. É só abrir as torneiras e eis-me às mãos...só que todo privilégio tem seu preço...quero meu pedaço desse bolo.
MULHER: Você merece...este pedaço te dou com muito prazer. O que seria de mim sem água. (Água agradece e sai)
MARIDO: Mal recebemos o salário e ele está indo num instante. É só pagar, pagar. Só sai...Entrar que é bom, nada....
 MULHER: Não podemos esquecer da poupança. Pelo menos um pedaço precisamos guardar...Não conhecemos o amanhã. De repente a gente pode precisar.
NARRADOR: Não ajunteis para vós outros tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde nem a traça, e nem a ferrugem os consomem; onde nem os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, estará também o teu coração.
(Entra a ESCOLA)
ESCOLA: Esqueceram de mim?
MULHER: Pelo que parece, não conseguimos nos lembrar! Quem é a senhora? Ah! já sei, é a costureira!
ESCOLA: Sou a escola dos filhos de vocês. Vim buscar um pedaço do salário de vocês. Afinal de contas, eu mereço, ajudo a educar seus filhos. E olha que me dão um trabalho danado!
MARIDO: Em quantos pedaços ficam nossas despesas?
ESCOLA: Este mês, creio que 3 pedaços pagam todas as despesas?
MULHER: 3 Pedaços? A senhora não acha que está abusando no preço? Aonde vamos parar desse jeito? Não sobra nada!
ESCOLA: Só 3 pedaços! Tem escola que cobra muito mais. Estamos apenas trocando favores. Vocês me dão do bolo e eu dou educação. Não é uma troca justa?
(Escola agradece e sai. Entra a igreja outra vez)
IGREJA: Minhas necessidades em levar o evangelho me obrigam a humilhar-me. Os senhores já separaram uma parte do que Deus lhes deu para ajudar os que necessitam de salvação?
 MARIDO: Ainda não. Mas vamos separar...Queremos ajudar...Temos vontade de ver a obra de Deus crescer, só que há tanta coisa para atender! Quando chegar a hora, entregaremos sua parte...
(Igreja sai...)
MULHER: Antes que acabe esse bolo, vou levar a parte da poupança senão gastamos tudo e não guardamos nada de nosso salário. Este dinheiro é sagrado. Ninguém mexe nele....(Pega um pedaço do bolo e sai)
(Entra a PRESTAÇÃO)
PRESTAÇÃO: Sou a prestação que vocês fizeram e vim buscar a parte que me pertence.
MARIDO: Prestação?
PRESTAÇÃO: É. São várias. Foi sua mulher que comprou. Lembra daquela vestido novo que ela usou no casamento que vocês foram há um mês atrás? ...Pois é, foi comprado a prestação. E tem outras coisas ainda. Cheques pré-datados. Cartão de crédito. Vim cobrar tudo!
MARIDO: Em quanto fica?
PRESTAÇÃO: Acho que com quatro pedaços você me paga tudo.
(Pega o bolo e sai. Entra DESPESAS GERAIS)
DESPESAS GERAIS: Sempre há despesas gerais em uma família. Algumas com as quais não se contava. São gastos com médicos, remédios, consertos, coisas imprevisíveis. E aqui estou para buscar minha parte.
MARIDO: (Dá todo o bolo para as despesas gerais. Deve ficar no tabuleiro apenas as migalhas. A Despesa sai e pensativo diz:) Lá se foi meu salário...mas acho que atendi todas as minhas necessidades. Não deixei nada para trás.
(Entra a igreja)
IGREJA: Aqui estou novamente...Vim buscar minha parte para atender as necessidades que a igreja tem.
MARIDO: Acabei esquecendo da senhora! Sabe o que é...há tantas coisas para pagar. Aluguel, seguro, escola, prestação, alimentos, energia, água, que sem querer, acabei esquecendo da igreja.
IGREJA: É uma pena! Sua fidelidade ajudaria muito no suprimento das necessidades de sua própria igreja. Todos os departamentos seriam bem servidos, não haveria falta de recursos.
MARIDO: No mês seguinte, prometo que não esquecerei. Vou separar o primeiro pedaço. Agora, acho que sobrou alguma coisa... venha aqui... (Dirigem-se ao bolo. Marido ajunta as migalhas e dá à igreja) Leve esses pedaços... é pouco mas já é alguma coisa... Foi o que sobrou... o salário não dá... Antes isso do que nada...
Igreja pega as migalhas e o marido sai. Igreja segurando um prato com as migalhas se posiciona. Ao som se uma música de fundo, começam a entrar pessoas com faixas no peito com nomes de pastorais e movimentos da igreja. Catequese, Infância Missionária, Pastoral da Juventude, e etc.

Dirigem-se à igreja estendendo a mão e recebem pedaços das migalhas que recebeu. Devem fazer gestos de: Só isso? Não dá, etc... Somente gestos. Ninguém fala nada. E quando acabar, sai).
NARRADOR: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e Sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas." É dando que se recebe...
Pela fidelidade em devolver a Deus o que lhe pertence, e dar do coração voluntário ofertas de reconhecimento e gratidão, a igreja crescerá, o reino de Deus atingirá as pessoas que de outra forma não seriam atingidas. "Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre." I João 2:15-17.
****** Fim******

Mandamentos da Igreja
Primeiro mandamento da Igreja: Participar da Missa inteira aos domingos, de outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho”.
Ordena aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor, e as festas litúrgicas em honra dos mistérios do Senhor, da Santíssima Virgem Maria e dos santos, em primeiro lugar participando da Celebração Eucarística, em que se reúne a comunidade cristã, e se abstendo de trabalhos e negócios que possam impedir tal santificação desses dias (Código de Direito Canônico-CDC , cân. 1246-1248) (§2042).
Os Dias Santos – com obrigação de participar da Missa são esses conforme o Catecismo: “Devem ser guardados [além dos domingos] o dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Epifania (domingo no Brasil), da Ascensão (domingo) e do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), de Santa Maria, Mãe de Deus (1º de janeiro), de sua Imaculada Conceição (8 de dezembro) e Assunção (domingo), de São José (19 de março), dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo (domingo) e, por fim, de Todos os Santos (domingo)” (CDC, cân. 1246,1; n. 2043 após nota 252) (§2177).

2º – Segundo mandamento: “Confessar-se ao menos uma vez por ano”.
Assegura a preparação para a Eucaristia pela recepção do Sacramento da Reconciliação, que continua a obra de conversão e perdão do Batismo (CDC, cân. 989). É claro que é pouco se confessar uma vez ao ano, seria bom que cada um se confessasse ao menos uma vez por mês, pois fica mais fácil de se recordar dos pecados e de ter a graça para vencê-los.

3º – Terceiro mandamento: “Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da ressurreição” (O período pascal vai da Páscoa até a Festa da Ascensão) e garante um mínimo na recepção do Corpo e do Sangue do Senhor em ligação com as festas pascais, origem e centro da Liturgia cristã (CDC, cân. 920).
Também é muito pouco comungar ao menos uma vez ao ano. A Igreja recomenda (não obriga) a comunhão diária.

4º – Quarto mandamento: “Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja” (No Brasil, isso deve ser feito na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa). Esse jejum consiste em um leve café da manhã, um almoço leve e um lanche também leve à tarde, sem mais nada no meio do dia, nem o cafezinho. Quem desejar, pode fazer um jejum mais rigoroso; o obrigatório é o mínimo. Os que já tem mais de sessenta anos estão dispensados da obrigatoriedade, mas podem fazê-lo se desejarem.
Diz o Catecismo que o jejum “determina os tempos de ascese e penitência, os quais nos preparam para as festas litúrgicas, contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (CDC, cân. 882)”.

5º – Quinto mandamento: “Ajudar a Igreja em suas necessidades”
Recorda aos fiéis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades (CDC, cân. 222). Não é obrigatório que o dízimo seja de 10% do salário, nem o Catecismo nem o Código de Direito Canônico obrigam essa porcentagem, mas é bom e bonito se assim o for. O importante é, como disse São Paulo, dar com alegria, pois “Deus ama aquele que dá com alegria” (cf. 2Cor 9, 7). Essa ajuda às necessidades da Igreja pode ser dada uma parte na paróquia e em outras obras da Igreja.
Nota: Conforme preceitua o Código de Direito Canônico, as Conferências Episcopais de cada país podem estabelecer outros preceitos eclesiásticos para o seu território (CDC, cân. 455) (§2043).
Demos graças a Deus pela Santa Mãe Igreja que nos guia. O Papa Paulo VI disse que “quem não ama a Igreja não ama Jesus Cristo”.

*material sobre os mandamentos da Igreja de Felipe Aquino, comunidade Canção Nova 
RESUMINDO:
  1. Participar da Missa aos Domingos e outras festas de guarda.
    Na maior parte dos países ocidentais católicos, os dias santos de guarda são:
    Santa Maria, Mãe de Deus - 1 de janeiro
    Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi) - data variável entre maio e junho: 1ª quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade
    Imaculada Conceição de Maria - 8 de dezembro
    Natal - 25 de dezembro
  2. Confessar-se ao menos uma vez por ano.
  3. Receber o sacramento da Eucaristia, pelo menos na Páscoa.
  4. Abster-se de comer carne e observar o jejum nos dias estabelecidos pela Igreja.
    Dias de jejum: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa.
    Dias de abstinência de carne: sextas-feiras da Quaresma.
  5. Atender às necessidades materiais da Igreja, cada qual segundo as próprias possibilidades.

    Estes cinco mandamentos da Igreja (não confundir com os Dez Mandamentos da Lei de Deus), na sua forma atual, foram promulgados em 2005 pelo Papa Bento XVI, quando suprimiu o termo "dízimos" do quinto mandamento (pagar dízimos conforme o costume), cujo sentido real era, obviamente, contribuição, não taxação ou imposto
 
No final fizemos essa Igreja em dobradura, reforçando que a Igreja somos nós, ou seja, NÓS CONSTRUIMOS A IGREJA.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O padre não é bom da cabeça

Isso aconteceu em Portugal, porém, achei oportuno a leitura para que possamos refletir alguns pontos interessantes! Você que me lê, na paróquia onde atua, existem pais  que querem os sacramentos para os filhos como se fosse uma mercadoria, com compra e entrega rápida? Existem paróquias que caminham como bem quer, sem obediência às orientações diocesanas(quando tem orientação)?
A religião com facilidades, se não for assim, não serve. O padre coitado é tido como louco!! Imagina exigir três anos de caminhada até a eucaristia. É meus caros, acho que não é só Brasil(há exceções) que não se entende que a catequese  está à serviço da Iniciação Cristã. Que essa caminhada é um processo de amadurecimento na fé e que os sacramentos acontecem no decorrer dessa caminhada, mas  não é a meta de todo processo. A meta é formar cristãos! (Imaculada Cintra)
"O senhor estava ao telefone a convidar um amigo para a festa do seu filho que ia fazer a primeira comunhão no dia tal. Eu estava numa mesa ao lado à espera que me entregassem o carro após a mudança do vidro que se partira vá-se lá saber como. O senhor esperava também o seu carro por motivo idêntico, quando, para ocupar o tempo, efectuou a chamada que ouvi como se fosse para mim. O que ele não sabia é que eu era padre e que o padre a que se havia de referir o conhecia bastante bem.

O padre não é bom da cabeça, dizia. Olha que ele exige três anos para fazer a primeira comunhão. São de facto três os anos estipulados pela Conferência episcopal portuguesa e pelo itinerário da Catequese. Para mostrar ainda mais a força da decisão que tomara, queixava-se que o padre, que não é bom da cabeça, dizia que com mais de três faltas o miúdo seria retido na catequese. Onde já se viu! Exclamava.

O padre é doido por exigir estas coisas. E depois encontrou uma catequista ali ao lado, pareceu-me que numa paróquia bem ao lado, que aceitou o miúdo para fazer a primeira comunhão, e em dois meses vai conseguir fazer catequese de três anos. Grande catequista. E ainda diz o senhor que o filho, afinal, até gosta daquilo, e já sabe tudo. Como se fosse uma questão de saber.

Estava o filho contente e o pai mais que contente, porque afinal o seu filho querido ia fazer uma festa linda. Aquela festa que provavelmente irá fazer poucas vezes na vida. Porque comungar deveria ser sempre uma festa. E vai ter casa cheia com almoço bem melhorado.

Tal pai, tal catequista, que nunca devem ter ouvido a Jesus dizer que se o quisessem seguir, até teriam de deixar pai e mãe!"
Fonte:http://eupadre.blogspot.com.br/2016/08/o-padre-nao-e-bom-da-cabeca.html 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O bom senso



Creio que podemos sintetizar a expressão “o bom senso” nas seguintes virtudes humanas: modéstia, gratuidade, mansidão e humildade. O bom senso faz parte da sabedoria popular, que ajuda muito no relacionamento entre as pessoas, porque cada indivíduo é valorizado na sua própria identidade. É também capacidade natural para reconhecer a diversidade no modo de agir de cada pessoa.

A pessoa modesta sabe se colocar na sociedade e reconhece seus limites, mas também põe seus dons a serviço do irmão. Sabe ainda que suas forças e possibilidades veem de Deus e se expõe como instrumento do bem comum. Age com simplicidade e não por ingenuidade, porque tem consciência de sua responsabilidade como também construtor de uma sociedade pautada pela coerência.

A gratuidade tem uma dimensão muito bonita. Conforme o dicionário é a “condição ou estado do que é oferecido de graça”, ou, a “condição do que é espontâneo ou injustificado”. Às vezes recebemos muito e doamos pouco, quase significando a realidade de injustiça. A vida, e toda a dimensão de sua existência, é um verdadeiro dom gratuito, que precisa ser preservado, inclusive com gestos concretos de agradecimento.

O bom senso supõe também a mansidão, que é uma capacidade interior de autodomínio, para não perder o equilíbrio nos possíveis relacionamentos conflituosos. É a brandura de gênio ou de índole; brandura na maneira de expressar-se; na doçura, na meiguice e na suavidade. Isso se revela inclusive no confronto com as pessoas que agem com maneiras mais agressivas, evitando levantar a voz de forma ruidosa e provocativa.

Por fim, o bom senso passa por um trajeto enraizado na força da humildade. Ela é uma virtude caracterizada pela consciência das próprias limitações, mas também pela modéstia e pela simplicidade. É realidade que contrasta profundamente com a cultura do poder, do domínio e da primazia do dinheiro. Portanto, saber receber e dar de graça, superando todo tipo de auto-suficiência.

Para que o bom senso seja bem entendido, a humildade não pode ser prudência de quem é tímido, nem medo de se expor e nem expressão de egoísmo. É só olhar para o jeito simples de Jesus agir, principalmente em relação aos pobres, sem desprezar ninguém, mas atento aos mais humildes. Ele teve preferência pelos sem nome na sociedade, usando de bom senso para com todos.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba.